Angelica Brunatto
Tubarão
O vereador Geraldo Pereira (PMDB), o Jarrão, e a sua ex-assessora, Cynara Guimarães Antunes, negaram novamente ter feito turismo com verba pública para o nordeste. A afirmação foi feita durante a segunda audiência de instrução e julgamento do caso, na tarde de ontem. Os réus ficaram mais de uma hora respondendo perguntas.
Com este interrogatório, feito pelo juiz da 1ª vara criminal do fórum de Tubarão, Elleston Canali, encerra-se a coleta de depoimentos. A partir de agora, todas as partes têm um período, ainda sem prazo para término, para poder requerer novas provas ou a complementação das já apresentadas.
Depois, o processo deve entrar na fase final, quando os envolvidos apresentarão as alegações finais, para que o juiz possa proferir a sentença.
A primeira audiência ocorreu no dia 15 de junho do ano passado. Na oportunidade, foram colhidos os depoimentos do presidente da câmara de vereadores de Tubarão, João Batista de Andrade, e de Rita Maria Guimarães Pereira. Ambos são testemunhas comuns da defesa e do Ministério Público, que ofereceu a denúncia contra Jarrão e Cynara.
Outras sete pessoas foram ouvidas por carta precatória, já que residem em outras cidades ou estados. Tratam-se do repórter que fez a matéria que denunciou o caso, Giovani Grizotti (Porto Alegre/RS); Patrícia Guimarães Pereira (Balneário Camboriú); Clésio Mucio Drumond e Clermon Augusto Drumond (ambos de Vespaziano/MG); Raimundo Silva (Itacoatiara/AM); Aludir Alves de Cristo (Joinville); e Sebastião Alves Macena (Recife/PE).
A denúncia
Conforme a denúncia feita pelo Ministério Público, o vereador Geraldo pereira (PMDB), o Jarrão, e a ex-servidora Cynara Guimarães Antunes são acusados de peculato, em virtude do suposto uso de verba pública para fins de turismo no nordeste.
Os dois sempre negaram qualquer envolvimento. Inclusive, chegaram a devolver aproximadamente R$ 4.300,82 cada. O valor é referente às diárias utilizadas para a viagem, motivada para a participação de um curso promovido pelo Instituto Nacional Municipalista (INM), entre os dias 1º e 5 de julho do ano passado.
O caso veio à tona em 8 de agosto de 2010, quando o programa Fantástico, da Globo, veiculou a reportagem Farra das Diárias. Jarrão e Cynara foram gravados na praia de Porto de Galinhas no momento que, em tese, deveriam estar no curso.
Na única vez que falou abertamente sobre o caso, Jarrão disse que foi induzido a dar as respostas que aparecem na gravação. A assessora nunca quis dar entrevistas, mesmo insistentemente procurada. Na câmara, Jarrão nunca foi punido. Cynara foi exonerada, mas em função de lei do nepotismo. Com o escândalo, descobriu-se que ela é sobrinha do vereador e, portanto, não poderia assessorá-lo.

